Sustentabilidade: contribuições para um debate infinito - Editorial
Editorial por Tânia Crespo, Coordenadora de Comunicação do Instituto Fonte.
Caros leitores,
Desde o último trimestre de 2008, temos sido bombardeados com um amplo espectro de informações sobre a crise energética, de alimentos, climática, econômico-financeira, ou como muitos analistas afirmam, a crise da ética e dos valores.
Ao mesmo tempo em que as notícias sobre a crise ganhavam espaço e força, reparamos também que muitas pessoas ligadas ao campo social, nós inclusive, começaram a levantar perguntas sobre os supostos efeitos da crise neste setor: As empresas deixarão de investir? As ONGs vão se rever? Terão mais sentido? A prática de cada um assim como diálogos, pesquisas e artigos são matéria prima de reflexão para a elaboração de uma leitura desse processo.
Parece que neste momento de incertezas, o processo de desenvolvimento da humanidade salta aos olhos e o conceito sustentabilidade ganha ainda mais força. Exige atenção para além dos “erres”, exige maturidade. Quais podem ser as nossas aprendizagens frente a esta crise? De fato, quais são as diferenças, semelhanças e complementaridades entre a sustentabilidade do planeta e a das Organizações da Sociedade Civil? Como cada organismo (indivíduo e instituição) está se postando em relação a sustentabilidade de suas causas, que em essência, diz respeito a sustentabilidade do mundo e de seus organismos vivos?
No trabalho com desenvolvimento de organizações e das pessoas que nelas atuam, temos entendido o conceito de sustentabilidade como um permanente movimento de estar a caminho. Esse movimento, repleto de sutis contradições, difíceis de serem percebidas no dia-a-dia, parece conter também possibilidades de evolução. E então: aceitar ou negar? Bloquear ou encorajar? Sempre haverá aspectos maduros e imaturos em uma entidade social.
A capacidade de assumir responsabilidade tem a ver com a visão de como uma iniciativa se insere no mundo. Sob um ponto de vista, toda organização faz parte de uma comunidade, é mantida por uma comunidade e se compõe de uma comunidade. Ela não está separada de sua comunidade. A capacidade de relacionar, e não isolar, determina a capacidade de responder à situação em que se vive (responsabilidade = resposta-habilidade).
Maturidade e complexidade caminham juntas, portanto. Quanto mais profundas as questões, mais profundas as contradições e o mundo atual reflete essa dinâmica, com seus aspectos positivos e sombrios. Amadurecer é um caminho de expansão de consciência, de aprender e desaprender, de apegar e de deixar ir, de ser resistente e vulnerável, de controlar e respeitar, simultaneamente.
Para refletir e explorar estas questões, entrevistamos Denise Castro, participante da 3ª edição do Programa Profissão Desenvolvimento e Presidente da Fundação Mamíferos Aquáticos, que tem como missão “promover a conservação dos mamíferos aquáticos e seus habitats, visando o equilíbrio ambiental”. Para Denise, “este momento de crise chega como uma imposição para se ter consciência. Se os setores produtivos não atentarem para isso, a sustentabilidade estará comprometida – e é muito importante que ela [sustentabilidade] esteja pautada na mudança de padrão de consumo e no controle populacional. Qualquer outra ação é paliativa. A mudança de comportamento deve começar dentro das organizações. Se elas não tiverem a real compreensão da finitude dos recursos, teremos um cenário ainda mais complexo para ser trabalhado, porque estamos no final da cadeia produtiva”.
Enxergando no Fórum Social Mundial, em sua mais multiétnica das edições, um campo privilegiado de renovação de energias utópicas para tantas gerações, que efervesceu diálogos e oficinas sobre crise/sustentabilidade, Rogério Silva, diretor executivo do IF, apresenta um registro apreciativo e reflexivo do conjunto de vivências do autor na última edição do evento: “Pelas janelas das quais costumo observar os pulsantes e produtivos movimentos do campo social, saí de Belém confiante na potência e nas possibilidades das realizações humanas, na crescente capacidade dos povos para produzir diálogos, na energia renovável que move nossa disposição de aprender com as próprias experiências e na sublime responsabilidade que nos vincula à vida neste Planeta. Naquilo que operou em mim, a oitava edição do FSM alcançou suas intenções”.
O Direto do Fonte traz, também, informações sobre a pesquisa Efeitos da Crise na Cooperação Internacional realizada pelo Fonte que buscará levantar, estudar e publicar informações que ajudem a sociedade brasileira a discutir os efeitos da crise econômica sobre o campo social. Além disso, falamos aqui, em primeira mão, sobre o Projeto “Artistas do Invisível”, formação promovida pelo Instituto Fonte em cooperação com Allan Kaplan.
Esperamos que os conteúdos deste boletim lhe façam sentido e lhe sirvam de material de estudo e reflexão organizacional. E esperamos que ele também lhe sirva de convite: Qual é a sua responsabilidade perante a sustentabilidade da sua organização e do planeta? Fale conosco e boa leitura.
Coordenadora de Comunicação
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