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Estudo de Impacto do Prêmio Empreendedor Social Ashoka – McKinsey: relato da vivência de um processo de desenvolvimento

por Viviane Naigeborin*

 

Instituto Fonte e Ashoka têm uma parceria de longa data. Ela começa com a seleção de Antonio Luiz de Paula e Silva, como fellow da Ashoka em 1998.

Ashoka e Fonte já tiveram a oportunidade de vivenciar diferentes experiências de trabalho. Juntos, idealizamos, estruturamos e implementamos com bastante êxito o Programa Iniciativas Sociais e Desenvolvimento: a Arte de Empreender e Transformar, uma série de quatro seminários que capacitou, entre 2003 e 2004, mais de 80 empreendedores e lideranças da área social em temáticas como a criação, a sustentabilidade, a avaliação e a mediação de conflitos em Iniciativas Sociais.

O Instituto Fonte também apoiou a Ashoka na construção e facilitação de seminários temáticos para a sua rede de empreendedores sociais, bem como em processos de planejamento estratégico para a própria Ashoka.

Entre todos, porém, aquele que eu gostaria de destacar aqui é o Estudo de Impacto do Prêmio Empreendedor Social Ashoka – McKinsey, realizado entre março e setembro de 2003.

O Estudo representou um marco na história do Prêmio– concurso nacional que visa apoiar o desenvolvimento de conceitos de negócios inovadores e capacitar organizações da sociedade civil (OSCs) a planejar e implementar profissionalmente seus negócios, aliando sustentabilidade, geração de receitas e impacto social (www.empreendedorsocial.org.br).

Após três anos consecutivos de realização do Prêmio, decidimos interrompê-lo por um ano para realizar uma ampla revisão do processo de desenvolvimento do concurso e de seu impacto junto às organizações participantes (grau de implementação dos negócios e mudanças na gestão organizacional). Nossa intenção era avaliar os resultados alcançados e aperfeiçoar nossas práticas, maximizando o impacto conseguido até então.

Curiosamente, a opção pelo estudo foi feita no momento em que o Prêmio estava em seu ápice. O número de organizações participantes crescia a cada ano, a metodologia havia sido bastante aperfeiçoada e os planos de negócio eram cada vez mais inovadores e de maior impacto social. As grandes repercussões alcançadas, aliadas ao pioneirismo da iniciativa, exigiam uma parada estratégica para entender melhor a dimensão do processo que estava em curso.

Foram os profissionais do Instituto Fonte os primeiros a compreender que o que estávamos buscando era algo muito maior do que a avaliação de um processo e de seus resultados. O Fonte identificou ali a oportunidade de nos apoiar num amplo processo de desenvolvimento do Prêmio. Partiu deles, portanto, a sugestão de estabelecermos um método bastante inovador e interativo de trabalho que aliasse avaliação, aprendizado coletivo e preparação para a mudança.

Para isso, sob a coordenação do Instituto Fonte, Ashoka e McKinsey definiram uma dinâmica de trabalho, de modo que todos assumissem responsabilidades nas diferentes etapas do Estudo.

O primeiro grande desafio foi definir conjuntamente a metodologia de trabalho. O Instituto Fonte propôs uma abordagem criativa e pluralista, lançando mão de diversas opções metodológicas a fim de que informações de diferentes naturezas pudessem ser recolhidas e analisadas. 

Inovação é um dos princípios que regem a Ashoka e o Instituto teve a sensibilidade de perceber e incorporar isso em sua proposta. A inovação proposta na escolha da metodologia para buscar resultados mais abrangentes foi imediatamente aceita.

Em conjunto, adotamos como metodologia principal o estudo comparativo entre 3 grupos de organizações: as finalistas, as que tinham participado até a segunda etapa do concurso e as que tinham participado somente da primeira etapa. Para a investigação das organizações participantes foram utilizados questionários padronizados e grupos focais. Entrevistas telefônicas prévias e estudos exploratórios foram realizados para apoiar a construção das perguntas do questionário e dos grupos focais. Além disso, profissionais da McKinsey que atuaram como voluntários do Prêmio foram ouvidos em um survey eletrônico e em um grupo focal.

O cuidado extremo e a importância dada a cada uma e a todas as pessoas são a marca registrada do trabalho do Instituto Fonte e isso se refletiu também no Estudo. Representantes de organizações da sociedade civil, participantes do Prêmio, diversos profissionais da Ashoka e da McKinsey, parceiros que apoiaram a iniciativa, todos, sem exceção, tiveram um foro privilegiado de escuta e puderam dar as suas contribuições para o Estudo.

Outra experiência bastante rica foi a construção coletiva das duas grandes perguntas e indicadores que nortearam todo o Estudo. O processo incluiu profissionais da Ashoka, da McKinsey, participantes do Prêmio e parceiros e a facilitação do Instituto foi fundamental neste desafiante exercício de construção e síntese coletivas.

Também por sugestão do Fonte, e sob a sua facilitação, Ashoka e McKinsey se reuniram  em diversos momentos para avaliar o andamento do processo, propor ajustes e pensar ações complementares. Em TODOS os momentos, os profissionais do Fonte mostraram abertura para discutir e incorporar mudanças, ainda que não planejadas originalmente. Por outro lado, foram firmes em defender o que julgavam princípios fundamentais para garantir a coerência e consistência do processo.

Os resultados do Estudo de Impacto foram amplamente positivos. Eles confirmaram a relevância e o impacto positivo do Prêmio para seus participantes, o que nos deu a certeza de que estávamos no caminho certo. Mais do que isso, a possibilidade de participar conjuntamente com o Fonte na construção das diversas fases do Estudo, possibilitou-nos a apropriação integral do conhecimento construído e reforçou ainda mais os sólidos laços de parceria entre a Ashoka e a McKinsey. Ao final do processo, estávamos prontos para planejar e implementar as mudanças que se faziam necessárias para um maior aperfeiçoamento do concurso nas edições futuras.

Ao final do Estudo, Ashoka e McKinsey iniciaram, por conta própria, uma profunda análise dos resultados apresentados que durou de outubro de 2003 a fevereiro de 2004 e que resultou no desenvolvimento de um novo formato do Prêmio Empreendedor Social, lançado em agosto de 2004.

As mudanças buscaram incorporar todas as sugestões coletadas com os diversos públicos e as conclusões obtidas durante o Estudo.

432 organizações da sociedade civil e 347 estudantes universitários inscritos, representando 25 estados brasileiros inscreveram-se na nova edição, Em relação ao número de OSCs dos anos anteriores, este número representou um crescimento de 96%, além de representar uma maior abrangência geográfica dos participantes.

A qualidade dos planos de negócio foi indiscutivelmente a melhor de todas as edições, segundo membros do comitê de avaliação e da comissão julgadora que acompanham a iniciativa desde seu início.

A avaliação dos participantes foi extremamente positiva, reforçando o acerto das mudanças realizadas.

Ashoka e McKinsey estão hoje seguras da relevância desta iniciativa e permanentemente atentas para novas mudanças que se façam necessárias no futuro.

O Estudo de Impacto teve papel fundamental no sucesso obtido e foi o grande orientador desta nova fase do Prêmio Empreendedor Social Ashoka – McKinsey.

Em tempo, uma das mudanças sugeridas por participantes e incorporadas pelo concurso foi a Criação dos Círculos de Aprendizagem, espaços onde os participantes pudessem compartilhar suas experiências e pensar o significado e valores de suas ações, bem como soluções conjuntas para as oportunidades e desafios no desenvolvimento de negócios com impacto social.

Acho que fica fácil descobrir quem foi convocado para nos ajudar a planejar e facilitar esta atividade.

 

* Vivianne Naigeborin foi diretora internacional de parcerias estratégicas da Ashoka. Hoje é consultora em processos de desenvolvimento social e faz parte do Conselho Diretor do Instituto Fonte.