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Em questão: desenvolvimento comunitário

Editorial por Rogério Renato Silva, diretor executivo do Instituto Fonte


"As palavras têm significados: alguma delas, porém, guardam sensações. A palavra “comunidade” é uma dessas. Ela sugere uma coisa boa: o que quer que “comunidade” signifique, é bom “ter uma comunidade”, “estar numa comunidade”. Assim Zygmunt Bauman dá início a mais um belo trabalho  que traz à luz o conceito “comunidade” e muitos de seus sentidos e dilemas: igualdade e diferença, inclusão e exclusão, liberdade e segurança são alguns dos elementos tratados na dialética do autor.

Ao nosso redor, ONGs, governos, empresas e universidades também constroem conceitos e práticas de desenvolvimento comunitário (DC). Daí saltam afirmações a merecer atenção, experimentos e muita conversa. No exemplo, DC pressupõe:

•    Foco em um território geográfico definido (um bairro, uma cidades, etc.);

•    Processo endógeno (escolhido e construído de dentro para fora);

•    Grupo de pessoas que partilha história e memória;

•    Intersetorialidade e necessária interdependência entre atores;

•    Multiculturalismo e necessária miscigenação das diferenças;

•    Comunidade que partilha posições ideológicas e políticas;

•    Forte mobilização de recursos (ativos) locais;

•    Ação plural complementar: econômica, política, cultural, ética e ambiental;

•    Governança de um grupo sobre si mesmo (escolhas e conseqüências);

•    Intencionalidade em ações de desenvolvimento de indivíduos.

E, entre tantas posições, qual é a sua noção de comunidade? Qual a sua forma de intervir no desenvolvimento de uma comunidade? Você intervém na sua comunidade ou apenas nas “comunidades dos outros”? Por que razões a expressão “desenvolvimento comunitário” volta a ganhar espaço no campo social entre programas, estratégias de investimento e publicações?

Neste Direto do Fonte, o segundo de 2008, procuramos criar espaço para favorecer esta discussão. Articulando entrevistas com ativistas da Central Única de Favelas (CUFA), do Instituto Elos, da ONG Pró-Morato e do Programa Criadores de Possibilidades, do Instituto Fonte, a idéia é trazer à luz, para que cada leitor construa suas próprias sensações e hipóteses, reflexões e práticas identificadas como DC.

Além disso, convidamos Jonathan Hanay, Diretor Executivo da ACER/Diadema, a partilhar aqui suas experiências de mobilização comunitária no âmbito da Rede de Proteção à Criança de Diadema, a RECAD. O ensaio de Jonathan é parte de sua produção no Programa Profissão Desenvolvimento, onde formas de ler e intervir em processos de desenvolvimento têm sido profundamente estudadas e praticadas.

O Direto do Fonte traz também informações sobre o lançamento do Programa Criadores de Possibilidades, com foco em DC, reúne dicas de leitura e eventos significativos no campo social e comenta sobre o lançamento do livro Princípio da Consultoria de Processos, uma parceria entre o Instituto Fonte, o Instituto Ecosocial e a Editora Peirópolis.

Continuamos produzindo idéias e trabalhos e seguimos em busca de apoio, investimentos e parcerias nessa jornada: quer nos ajudar? Esperamos que os conteúdos deste boletim lhe façam sentido e lhe sirvam de material de estudo e reflexão organizacional. E esperamos que ele também lhe sirva de convite. Qual é a sua comunidade e qual é sua maneira de nela intervir? Fale conosco e boa leitura.