Formar para o Trabalho Social: sempre desafio
Os últimos 20 anos foram palco para o crescimento de iniciativas de formação de profissionais para o campo sócio-ambiental. Ora sob o impulso das universidades públicas e privadas, ora sob a batuta de ONGs nacionais e internacionais, percorremos neste período longas jornadas em bancos escolares, em rodas reflexivas à sombra de Flamboaiãs; lemos, escrevemos, visitamos, navegamos, estivemos em chats e em toda forma de método capaz de nos ajudar a aprender.
De forma complementar a todos os esforços que a sociedade brasileira empreendeu para melhor preparar os trabalhadores das iniciativas sociais, também vimos nascer e ganhar corpo as ideias da aprendizagem organizacional, da avaliação e da sistematização, tanto para corrigir processos, ampliar impactos, acreditar e disseminar métodos, como para favorecer a criação de ambientes e culturas de aprendizagem em nossas organizações.
Para além de formação profissional e cultura de aprendizagem, também vimos o crescimento vertiginoso da prática da consultoria como forma de ajudar as organizações a reinventarem-se e a importarem ou formularem soluções para seus desafios. Em suas diversas formas, focos, métodos e propósitos, a consultoria tornou-se um mercado robusto e uma via importante para fortalecer as organizações. A demanda por “saber fazer mais e melhor” nos fez buscar toda forma de preparo.
Em tempos de balanço dessas duas décadas, parece importante que nos lancemos a perguntar que tipos de herança estes 20 anos de formação e profissionalização trouxeram ao campo social. Tornamos os movimentos sociais mais vivos, plurais e vencedores em suas lutas históricas? Criamos organizações mais eficazes no alcance de seus propósitos? Ampliamos o sentido do trabalho social e a relevância daquilo que é feito? Ampliamos o alcance e a força do tecido social brasileiro? E, por fim, passamos a cuidar de nossos projetos, programas e organizações com a coerência esperada para quem trabalha na esfera da garantia de direitos?
Para contribuir com este importante diálogo, preparamos este Direto do Fonte com a intenção de reunir algumas reflexões e estabelecer pontes com iniciativas e organizações que têm cumprido papéis importantes neste cenário. Em conversa com Marina Magalhães, consultora associada ao Instituto Fonte, procuramos explorar questões como: o que caracteriza os últimos anos de formação de profissionais para atuarem nos movimentos sociais e nas ONGs? Quais parecem ter sido os maiores acúmulos deste período? Que conseqüências trouxe tanto investimento em formação? E agora, que cenários estão se armando para o futuro da formação?
Marina Magalhães e eu discutimos também o Profides (Programa Profissão Desenvolvimento) no atual contexto do campo social. Iniciativa de formação de profissionais de desenvolvimento empreendida desde 2004 pelo IF, o Programa chega a sua quinta edição em São Paulo neste ano de 2010, e fala dos seus acúmulos e desafios. O Direto do Fonte traz ainda breves notas de Pedro Pereira e Ana Biglione, que falam respectivamente sobre suas experiências de formação com o Programa Lidera, promovido pela Ação Empresarial pelo Nordeste, e o PNG (Programa Nova Geração), promovido pelo Instituto Geração em São Paulo.
Com este boletim, queremos reafirmar o compromisso do Instituto Fonte com a produção de ações que contribuam para a permanente construção de um campo social cada vez mais consistente, coerente e influente nos rumos da sociedade brasileira e mundial. Contamos com cada um de vocês para a jornada a ser vivida neste ano e esperamos retribuir este apoio por meio das nossas intervenções.
Por fim, este é também o último editorial que assino como diretor executivo do Instituto Fonte, que a partir do mês de Abril recebe o psicólogo Arnaldo Motta para um mandato de três anos a frente da instituição. Sigamos em colaborações e aprofundamentos. Fale conosco e boa leitura.
Rogério Silva
Diretor Executivo 2007/2010
.gif)