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Erro é tema de debate do Congresso GIFE

Se criticar é fácil, fazer autocrítica, nem sempre. Mas não para os debatedores da mesa "Aprendendo com os erros: fracassos no Investimento Social Privado (ISP)",  apresentada na tarde de 8 de Abril, durante o 6º Congresso Gife. José Pinto Monteiro, diretor da JPMonteiro Responsabilidade Social e professor da FGV e da UFRJ, e Simone Coelho, diretora-presidente do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e da Ação Comunitária (Idec), apontaram alguns erros em ISP e suas possíveis soluções.

Para a socióloga Simone Coelho, especializada em avaliação de projetos, o principal engano do setor é justamente não aprender com os próprios erros. Ela acredita que, ao contrário do que consideram 41% das ONGs ouvidas pela recém-divulgada pesquisa Fundação Itaú Social e Instituto Fonte, a avaliação de ações sociais não é um procedimento pró-forma ou simples perda de tempo. "Os equívocos são guardados na gaveta, porque a cultura da empresa é a de comunicar apenas o sucesso", ponderou.

Já José Pinto Monteiro acha que as empresas erram ao perceber a responsabilidade social como mero enfeite, em lugar de parte estrutural do negócio: "Ela não é a cereja do bolo, mas o ingrediente essencial da receita".

Citando sua própria experiência com investimentos sociais na Vila Olímpica da Mangueira, o professor atribui o equívoco a uma visão ultrapassada sobre o setor social por parte das empresas, que não se preocupavam em avaliar erros porque o impacto era medido pelo prestígio do projeto. "A maturidade de hoje vem da transparência", analisou.  "Hoje os relatórios e balanços sociais são exemplos de ferramentas que indicam deficiências a serem sanadas", complementou.

O debate, mediado por Daniel Brandão, consultor do Instituto Fonte, ainda levantou questões como o uso de incentivos fiscais e do marketing social. Ele apontou a prestação de contas entre os envolvidos e a comunicação por parte de gestores - e entre as várias entidades dedicadas a projetos semelhantes - como soluções para os erros e para a minimização do desperdício de recursos no terceito setor.

Fonte: GIFE