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Programa de Formação

O quê?


O Programa Profissão Desenvolvimento (Profides) é um programa de aprendizagem que procura ampliar o sentido, a qualidade e a relevância das ações dos profissionais que atuam em ONGs, governos ou empresas. Um (per)curso para empreendedores, gestores ou técnicos que têm questões sobre sua prática e querem promover mudanças no contexto em que estão inseridos.

O programa desenvolve capacidades:

  • de facilitação do diálogo entre diferentes atores;
  • de enfrentamento de situações tensas e conflituosas;
  • de intervenção criativa em situações de mudança;
  • de fomento da aprendizagem de pessoas e organizações.

Por quê?

Nos discursos de líderes sociais – líderes comunitários, técnicos de agências governamentais e não-governamentais, gestores de organizações da sociedade civil, educadores populares e consultores com forte atuação em desenvolvimento social –, tem-se observado que há muitas dúvidas a respeito do potencial de transformação (impacto) de suas ações. Percebe-se que estes profissionais possuem questões relacionadas ao seu próprio modo de atuar diante dos embates e ambigüidades do cotidiano – e mostram dificuldades em perceber, compreender, medir e qualificar as ações com vistas à transformação social.

Para quem é o Programa?


O Profides é especificamente desenhado para apoiar a formação de líderes comunitários, técnicos de agências governamentais e não-governamentais, gestores de organizações da sociedade civil e empresas, educadores populares e consultores com forte atuação em desenvolvimento social.

Estrutura

A quarta edição do Profides acontecerá em Recife, de agosto de 2009 a junho de 2010, em cinco módulos presenciais de 04 dias cada um, intercalados por um estruturado conjunto de atividades de educação a distância, num total de 256 horas de estudo.

Módulos:
I – O que é desenvolvimento?
II – Como ocorrem as mudanças?
III – Como ler processos de desenvolvimento?
IV – Como intervir em processos de desenvolvimento?
V – Como manter-se aprendendo?


Metodologia

É dialético e vivencial. Trabalha-se com reflexões individuais, trabalhos em grupo, debates e plenárias, estudos dirigidos, análises de casos, produção de textos, exercícios vivenciais e de observação e atividades lúdico-artísticas.

Esta linha de atuação se baseia na visão de que o sujeito aprende a partir de suas próprias motivações, e se interessa por aquilo que diz respeito à sua realidade. Assim, considera-se a sua realidade e a sua ação como pontos-chave da intervenção. Ao mesmo tempo, há espaço e valorização do conjunto de conhecimentos acumulados pela sociedade e desenvolvidos por outros. O processo de formação em questão valoriza esta dialética e procura favorecer a reconstrução de conceitos dentro de uma reflexão crítica a partir dos encontros entre prática, crenças, teorias e sentimentos.

Resultados


Os participantes, seis meses após a formação:

  • Revisitaram e construíram compreensões mais amplas e consistentes a respeito do que são processos de desenvolvimento.
  • Compreenderam melhor seu papel junto aos diferentes grupos com os quais se relacionam, cuidado melhor de suas próprias intervenções.
  • Ampliaram a percepção sobre seus próprios limites e desta forma passaram a valorizar e fortalecer a atuação de outras pessoas, potencializando ações em grupo.
  • Observam os processos sociais de modo mais integrado, relacionando o desenvolvimento das pessoas com o das organizações/comunidades.
  • Desenvolveram senso crítico a respeito de sua própria prática social.
  • Passaram a valorizar uma abordagem mais processual, usando perguntas como formas de estimular diálogos e abrir novos campos de compreensão sobre o mundo.
  • Passaram a buscar maneiras mais criativas para realizar seus trabalhos de gestão, supervisão, educação e articulação política.
  • Ampliaram fortemente suas habilidades de escuta.
  • Perceberam melhor o potencial criativo e por isso lidam melhor com situações de pressão e de conflito.


Além dessas dimensões, as organizações nas quais estes profissionais trabalham passaram a:

  • Reconhecer os participantes como facilitadores de processos e de grupos, abrindo novas possibilidades de intervenção.
  • Olhar para seu próprio processo de desenvolvimento de maneira mais consciente, intencional e responsável.
  • Criar e valorizar situações e espaços propícios à reflexão e à aprendizagem
  • Mergulhar em processos de renovação de sua identidade e forma de operar, tanto considerando seus movimentos internos quanto suas relações nos territórios ou campos em que estão inseridas.
  • Rever as premissas a partir das quais planejam e realizam suas intervenções.
  • Abrir mais possibilidades para construir suas intervenções a partir de uma leitura crítica e compreensiva da realidade, evitando os modelos que trazem soluções prontas.
  • Dar mais valor às relações que estabelecem com o entorno social, seja seu território geográfico, sejam grupos da mesma área de interesse, como redes e fóruns.

 Acesse a íntegra da avaliação da 1ª edição do Profissão Desenvolvimento aqui.

Alguns depoimentos da edição Recife:


Eu, no Profides, amadureci na escuta e na fala, descobri vazios e espaços encharcados de academicismo no meu processo de aprendizagem histórico. Dei-me conta na distância existente, mas ainda não mensurada, do meu discurso da minha prática. Descobri que talvez seja uma das minhas maiores opositoras. No curso vivenciei processos de morte que me levaram a lidar com esse fenômeno, a partir de um modo de olhar. Senti-me mais forte e segura no meu papel de gente e profissional que atua na questão social. Não estou nem mais nem menos sensível, estou mais consciente”.

 

Com relação à minha prática de desenvolvimento, o Profides permitiu que eu a conhecesse e sistematizasse esse conhecimento num formato possível de ser compartilhado e compreendido por outros. Permitiu qualificá-la a partir do movimento de torná-la consciente, dando sentido ao meu jeito de atuar e aperfeiçoando minhas competências, revelando minhas dificuldades. Possibilitou a construção do meu discurso sobre a minha atuação.
Desenvolvi habilidades cognitivas, corporais e metafísicas. Aumentei minha capacidade de leitura do cenário onde atuo, das questões que inquietam o outro. Melhorei minha capacidade de conviver com minhas incertezas, meus desafios. Percebo com muita clareza as necessidades trazidas na relação com os outros, minhas e deles. Acesso o conhecimento e as informações da realidade subjetiva com mais facilidade
”.

 

O Profides provocou e abriu espaço para sofrer provocações que me permitiram um constante e profundo diálogo comigo sem, no entanto, me congelar, me paralisar. Ao contrário (...), o Profides estimulou, encorajou e valorizou a minha prática, fazendo com que eu iniciasse uma disciplinada atividade de encher-me e esvaziar-me: aprender/agir/duvidar/questionar/esvaziar/aprender... Tornando-me um aprendiz que procura não desperdiçar a sua própria prática como a principal forma de aprendizagem”.

 

O grupo de participantes do Profides hoje faz parte da minha história como parte de uma família escolhida. Não foi assim no início. Como em todo grupo, descobríamos afinidades com alguns mais rapidamente. No entanto, as técnicas produziram dinâmica de integração permanente que suscitou uma massa cúmplice, em especial após o 3º módulo, quando nossos referenciais teóricos norteadores foram revelados e houve a chamada “expulsão do paraíso”. Já não éramos crianças brincando, desejando um ‘mundo melhor’”.

 

Sobre futuras edições do Profides, eu realmente torço que elas aconteçam cada vez mais. É profundo, transformador, toca na alma de todos os envolvidos. Desejo muito sucesso e longevidade para esse processo”.

 

As inscrições para a quarta edição do Profides (Edição Recife) acontecerão até dia 28 de maio. A participação se dá mediante seleção. A ficha deve ser redigida com cuidado e profundidade.
Baixe a sua ficha de inscrição aqui: salve-a em seu computador e envie para fonte@fonte.org.br

 

Coordenação


Os profissionais responsáveis pelo Profides são associados ao Instituto Fonte e acumulam um amplo portfólio de trabalhos no campo social, entre consultoria, gestão, militância e produção de conhecimento. São eles:

Coordenação Geral
Antonio Luiz de Paula e Silva
Consultor e facilitador de processos, Mestre em Administração pela FEA/USP (2001), engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP e desde 1989 trabalha em projetos de desenvolvimento social como facilitador, educador e consultor. Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais (1988), já esteve nos Estados Unidos, Áustria, Chile, Colômbia, Costa Rica e África do Sul para aprender e trabalhar. Autor do livro “Utilizando o Planejamento como Ferramenta de Aprendizagem”, editado pela Editora Global em 2001. Por quatro anos foi coordenador do Instituto Fonte ao lado de Flora Lovato; trabalha com consultoria de processos desde 1995 e é coordenador nacional do programa Criadores de Possibilidades.


Facilitadores do Profides São Paulo 2008/2009

Flora Lovato, graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, escola em que realizou também seus estudos de pós-graduação. Foi gerente da Fundação Iochpe por cinco anos e coordenadora do Instituto Fonte por quatro. Há oito anos vem trabalhando como facilitadora de processos para iniciativas sociais. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource e do CDRA, onde cursou o Fellowship Programme, programa avançado com foco em intervenção social.

Alexandre Randi, formou-se em Música Popular e por esse meio entrou no setor social, dirigindo a banda Bate-Lata e trabalhando em outros projetos sócio-educativos. Fez especialização em Educação Social pela UniSal (Centro Universitário Salesiano) e mestrado em Educação pela Unicamp. Trabalhou por oito anos na Fundação Orsa saindo, após, para trabalhar como consultor, quando desenvolveu trabalhos para a Fundhas, o Instituto Cultural Casa do Béradêro e o Cidade Escola Aprendiz (neste último, atuando no Centro de Formação em Educação Comunitária).